ARTIGO INDIGNAÇÃO TECNICA

 

OBRIGATORIEDADE DE USO DE MÁSCARAS EM LOCAIS PÚBLICOS – (Recomendar sim, obrigar não!)

 

Gostaria aqui de manifestar minha indignação técnica quanto a decisão da obrigatoriedade do uso de máscaras em transportes coletivos, órgãos públicos e prédio públicos em algumas cidades e também quanto a imagem projetada em alguns canais de comunicação referente a eficiência das máscaras cirúrgicas e pano caseiras. A questão não é em si o uso da máscara, más a especificação da mesma. Em consonância com a cartilha de proteção respiratória contra agentes biológicas para trabalhadores de saúde de 2009 e com a ABNT NBR:13.698/2011, a mesma ANVISA publicou a nota técnica 04/2020 aonde reforça a especificação da peça facial filtrante PFF2 ou PFF3 para proteção adequada contra aerossóis que possam conter o vírus, pois somente a mesma possui eficiência de filtração bacteriológicas EFB>99% contra aerossóis cujas partículas são inferiores a 5 Microns e permanecem no ar por longos períodos. Levando em consideração que o vírus se propaga no ar em partículas de tamanho de 100 Nanômetros igual a 0,12 Microns, tanto as mascarás cirúrgicas como as pano caseiras não fornecem a proteção adequada, seja pelo sistema filtrante ou pela vedação na face que as mesmas não possuem. Como esses tipos de mascaras não possuem vedação, o ar e consequentemente as partículas em formas de aerossóis líquidos penetram nas vias respiratórias pelas falhas de vedação superiores, inferiores e laterais.

 

Veja o que cita o manual ANVISA: 

 

“As gotículas têm tamanho maior que 5 µm e podem atingir a via respiratória alta, ou seja, mucosa das fossas nasais e mucosa da cavidade bucal. Nos aerossóis, as partículas são menores, permanecem suspensas no ar por longos períodos de tempo e, quando inaladas, podem penetrar mais profundamente no trato respiratório (alvéolos).

Existem doenças de transmissão respiratória por gotículas e outras de transmissão respiratória por aerossóis, as quais requerem modos de proteção diferentes.” Pag 16

 

 

 

“ O QUE SÃO DOENÇAS DE TRANSMISSÃO RESPIRATÓRIA POR AEROSSÓIS?

São aquelas que ocorrem pela  disseminação  de  partículas  menores  ou  iguais  a  5  µm, geradas durante tosse, espirro, conversação ou na realização de diversos procedimentos, entre os quais pode-se citar a broncoscopia, a indução de escarro, a nebulização ultrassônica, a necropsia, etc. Veja alguns exemplos no Quadro 2. 

Ex: Sarampo e Síndrome Respiratória Aguda.” Pag 17.

 

Sobre as máscaras cirúrgicas:

“NÃO protege adequadamente o usuário de patologias transmitidas por aerossóis (veja alguns exemplos no Quadro 2), pois, independentemente de sua capacidade de filtração, a vedação no rosto é precária neste tipo de máscara;

NÃO é um EPR – Equipamento de Proteção Respiratória.” Pag 22.

 

Assim sendo, acho que o uso indiscriminado, tanto da máscara cirúrgica quanto as de pano caseiras podem mais atrapalhar do que contribuir, sem falar que nas ruas está ocorrendo um desfile de pessoas com diversos tipos, modelos e maneiras errôneas de utilização.

Penso que sugerir e recomendar com consciência, conhecimento técnico e informar sobre as limitações corretas que um determinado equipamento possui é uma coisa, exigir o uso é outra extremamente séria e contrária as normas de saúde e segurando do trabalhador e da população, assim veremos de Tudo, menos pessoas protegidas.

 

Escrito por:

Cristiano Aparecido Duarte

Higienista Ocupacional,

Técnico de Segurança do Trabalho,

Esp. em Avaliações Químicas Ocupacionais  e 

Proteção Respiratória.